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Frio fora

Preciso de uma camiseta regata do ACDC. Não sou fã. Só quero mostrar como sou roqueira e como o estilo roquer me mostra um pouco. Vi ali numa loja da esquina na Santa Rosália. O pior é que é loja de madame, onde uma calça deve custar 300 reais e uma regata dessas não deve ser muito barata. Eles estão querendo mostrar que as madames tem estilo roquer e pagam bem.

Acontece que faz frio fora. Dentro também porque não temos aquecedores. E uma regata ficaria sumida no meio da jaqueta e do moletom e desse pano que uso em volta do pescoço. Li uma vez que se as extremidades estão quentes, você está aquecido. É quase verdade, porque as pernas ficam roxas e as unhas das mãos também.

Mas é a hora da regata. Da regata e dos novos fios loiros. Com mais grana seria mesmo a hora dos fios loiríssimos. Toda a água oxigenada do mundo pra levar essa dor embora. Essa angústia de ainda sermos nós, quando não há. Não sabemos se há.

Frio dentro

Essa noite fez muito frio. Ainda não é inverno, mas a casa ficou toda gelada. Não consegui dormir com você. Não consigo. Não durmo com o seu barulho, com o seu ronco, com a sua alma querendo roubar a paz da minha até durante o meu sono. Não.

Te deixei e fui dormir na caminha do meu filho, apertei-o um pouco de lado, mas ficamos quentinhos juntos. Ele nem reparou que eu estava ali.

Te deixei na sua cama, a nossa cama, essa mesma cama que só trouxe discórdia até hoje. Você diz que ela é minha com uma ponta de inveja de quem não consegue possuir um bem que também é seu.

Você dormindo onde sempre quis, tendo deixado no corredor o colchão fedorento que foi sua cama por todos esses meses, também teve frio. Um frio dentro. Vestiu sua jaqueta de motoboy azul e suja. Mesmo assim não se esquentou, mas dormiu e roncou alto que ouvi do outro quarto.

Antes dessa noite de frio, tivemos outro frio dentro. Você passou do ponto, passou mal depois do casamento da Dani, vomitou no carro, no tênis do seu filho, nas calças dele e no seu colchão imundo. De manhã, com a alma desmontada e armado de frustração me xingou de vá a merda até todas as outras coisas inúteis e ofensivas que um marido pode dizer. Eu da minha cama quente, senti o frio dentro mais uma vez. Ele está sempre ali, vive naquela casa conosco. E você na ânsia de tirá-lo, vomita impropérios, mas ele não sai assim. Ele só se fortifica em mim e em você.

Mas esse frio dentro me fez descobrir algo mais. Eu não ser a garota legal e permissiva que tanto te fazia feliz, te doeu a alma. E me dói a alma também. O sentimento é de traição a você e a mim. Não te suporto da forma como és hoje, mas não te deixo por sentir que traio a parceria que firmamos anos atrás.

O frio dentro me prende a essa vida vazia e triste. O amor existe, mas escondeu-se no seu universo quente, sem lugar pra esse gelo humano que somos nós.

Meu objetivo agora, é acabar com o frio dentro que você me proporciona e eu te devolvo em dobro, me perdoar por quebrar o elo e ir embora para onde houver sol.

Das coisas que gosto

Ler e escrever já me basta pra viver

geracaoemcrise:

CCLV
“Eu não sou pessimista, sou triste.”
F.P.
photo credit: Bjarne Bare

geracaoemcrise:

CCLV

“Eu não sou pessimista, sou triste.”

F.P.

photo credit: Bjarne Bare

Lista de alto verão sem praia

Bloqueador solar (só protetor é muito pouco)

Podólogo

Umidificador de ar

Baldinho pra fazer bolo de barro ( não de areia)

Skate, capacete, joelheira

Chá mate gelado com leite em pó

Loteria

Afinidade

Integrais

Heineken

Namoro

não reblog minha dor

Vi Dois Coelhos e chorei no final. Chorei por mim, por nós pelo nosso fim (tão improvável quanto o nosso começo) e porque precisava chorar. 

Enfim, esse dia chegou e veio pelas suas mãos como eu quis que fosse. Não vivemos mais, por isso se fazia necessária essa separação. Vou tentar fazer como você sempre diz: eu não vou sofrer por causa disso.

Mas falar é fácil, viver é que são elas.

Quase cinco anos e um filho de dois e meio. Mas melhor contar quatro anos, já que esse último foi um tormento, uma relação atormentada, espremida, dramática, triste, chateada, sem riso. Teve coisa boa sim, mas não vou lembrar agora.

Me perdi de você e nem sei quando isso aconteceu. Nunca deixei de amar, mas sofria por estar tão desagradada por tantos motivos e mesmo assim continuar junto.

A gente tentou, fomos bravos na capacidade de continuar juntos com tantos nãos como resposta. A maioria meus, reconheço.

Uma quase falência deu-se em mim: de sentimentos por alguém que eu julgava amar tanto.

Uma quase falência deu-se em mim: de sentimentos por alguém que eu julgava amar tanto.

Coisas como as letras voltaram a andar comigo

As letras e as palavras voltaram a me seguir, a sentar-se comigo para o café, a velar meus sonhos, a me espreitar quando falo sozinha. Andam comigo pela rua novamente agora, como irmãs.

Não me aproveito delas, a não ser quando são dias de fúria. Estou ajudando-as a tomarem um rumo certo. A se agruparem e formarem belos versos e frases e sonetos para alguém ler.

Elas gostam de mim. Eu já gostava delas há muito e fui mil vezes triste quando me senti por elas abandonada. Mas não foi bem assim, o modo estreito e visionário de pensamento que me acomenteu por alguns anos - não proposital, afastou-se das letras, das palavras e até da prima querida, aquela que carrega universos dentra dela, a leitura.

Pois agora, elas voltaram a andar comigo e mesmo que eu esteja sisuda ou com os cabelos para cima num coque torto, posso contar com companhia fiel. E é por elas que hoje escrevo e brindo.

Lista de início de inverno

Caixa de lápis de cor

Capim Cidreira

Gengibre

Manta

Conchinha

Ulisses vai pra escola

A diretora ligou. Sim, sim, disse ela, a vaga é de vocês, traga a papelada. Claro, estarei aí amanhã pela manhã. Desligo. Some a profissional, sobra a mãe. E agora, cadê coração? Tão pequeno e já vai pra escola. Escola é pros pequenos mãe.